O PIOR DA MÚSICA PORTUGUESA 1
Nesta altura de festa é tempo de pensar nos mais desfavorecidos... (lol)
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
28 de dezembro de 2008
24 de dezembro de 2008
VALHA-NOS O ALTÍSSIMO!
Foi necessário que Entidade Reguladora para a Comunicação Social rejeitasse a queixa de 122 (cento e vinte e duas, sim) pessoas ou entidades contra um sketche dos Gato Fedorento. Limitaram-se a explicar a estas pessoas que o humor tem, às vezes, um lado um nadinha subversivo. E que tinham de ter paciência com as pessoas que não pensavam ir arder no Inferno sempre que ofendessem a Santa Casa.
Faltou-lhes lembrar que já não se queima por cá ninguém há uns anos, por questões religiosas. Minar-lhes as acções que tiverem no Millenium, ainda vá lá... Mas relaxa-los ao braço secular já não se pode.
Para quem não viu a (inocente) rábula, aqui fica:
Foi necessário que Entidade Reguladora para a Comunicação Social rejeitasse a queixa de 122 (cento e vinte e duas, sim) pessoas ou entidades contra um sketche dos Gato Fedorento. Limitaram-se a explicar a estas pessoas que o humor tem, às vezes, um lado um nadinha subversivo. E que tinham de ter paciência com as pessoas que não pensavam ir arder no Inferno sempre que ofendessem a Santa Casa.
Faltou-lhes lembrar que já não se queima por cá ninguém há uns anos, por questões religiosas. Minar-lhes as acções que tiverem no Millenium, ainda vá lá... Mas relaxa-los ao braço secular já não se pode.
Para quem não viu a (inocente) rábula, aqui fica:
22 de dezembro de 2008
FELIZ NAVIDAD!
A todos os amigos. Aos que vejo regularmente, aos que se encontram longe. E até aos que por razões mais ou menos justificadas se desligaram desse compromisso. E aos que já partiram.
Não é só hoje que penso em todos vocês, mas todas as ocasiões são boas para o dizer de novo.
ps: e para os mais próximos que vão do Sul de Silves a Paris, nesta época.
A todos os amigos. Aos que vejo regularmente, aos que se encontram longe. E até aos que por razões mais ou menos justificadas se desligaram desse compromisso. E aos que já partiram.
Não é só hoje que penso em todos vocês, mas todas as ocasiões são boas para o dizer de novo.
ps: e para os mais próximos que vão do Sul de Silves a Paris, nesta época.
21 de dezembro de 2008
17 de dezembro de 2008

CATAGUASES SUBMERSA
O meu amigo Ronaldo Cagiano, mineiro convicto (o que é uma redundância, mas ainda assim o assinalo), envia-me fotos da sua terra, provisoriamente amantizada com Iemanjá. Como os meus leitores saberão, esta cidade do estado de Minas Gerais é a verdadeira capital do Brasil. A grande prova é o número de escritores que tem produzido ao longo dos anos e que se espalham pelo país e pelo mundo fora.
Numa saudação, a seco, aqui fica um abraço e a foto.
16 de dezembro de 2008
A TECLA
carrega-se sempre na mesma, que remédio: há uma justiça para ricos e outra para pobres.
Desgraçado de quem cometer um crime e não tiver bons advogados que distorçam a lei a seu favor. Se houver, tudo se perdoa. Amarra-se o juiz à forma e faz-se cara de pau.
Desgraçado de quem confessa e é pobre. Depois da porrada que a Judiciária não hesitará em lhe dar, vai em prisão preventiva, recebe o "severo rigor da lei" pela boca de um magistrado que finge acreditar no que diz, antes de ser atirado para o meio da selva, entre portas blindadas, onde mais porrada, violações de toda a espécie e necessidade de sobrevivência o ensinarão a prevaricar melhor no futuro.
Os bancos a mesma coisa. Para algum lado teriam de ir as comissões exorbitantes que nos cobram por reterem e usarem o nosso dinheiro. No caso do BCP, afinal, ainda sobrava muito do que se envia para o Vaticano e para financiar as actividades da Opus Dei. Não sabíamos era ser assim tanto.
Ao contrário do que afirmou hoje Mário Soares, não aumentaram significativamente as diferenças sociais nos últimos tempos. O que a crise trouxe foi a revelação dessas diferenças. Enquanto os pobres andavam enganados a endividar-se com cartões de crédito não olhavam para os que passavam no céu, de jacto privado. Agora olham. E cai o Carmo e a Trindade. Mas eles já andavam por cá...
carrega-se sempre na mesma, que remédio: há uma justiça para ricos e outra para pobres.
Desgraçado de quem cometer um crime e não tiver bons advogados que distorçam a lei a seu favor. Se houver, tudo se perdoa. Amarra-se o juiz à forma e faz-se cara de pau.
Desgraçado de quem confessa e é pobre. Depois da porrada que a Judiciária não hesitará em lhe dar, vai em prisão preventiva, recebe o "severo rigor da lei" pela boca de um magistrado que finge acreditar no que diz, antes de ser atirado para o meio da selva, entre portas blindadas, onde mais porrada, violações de toda a espécie e necessidade de sobrevivência o ensinarão a prevaricar melhor no futuro.
Os bancos a mesma coisa. Para algum lado teriam de ir as comissões exorbitantes que nos cobram por reterem e usarem o nosso dinheiro. No caso do BCP, afinal, ainda sobrava muito do que se envia para o Vaticano e para financiar as actividades da Opus Dei. Não sabíamos era ser assim tanto.
Ao contrário do que afirmou hoje Mário Soares, não aumentaram significativamente as diferenças sociais nos últimos tempos. O que a crise trouxe foi a revelação dessas diferenças. Enquanto os pobres andavam enganados a endividar-se com cartões de crédito não olhavam para os que passavam no céu, de jacto privado. Agora olham. E cai o Carmo e a Trindade. Mas eles já andavam por cá...
8 de dezembro de 2008
NÃO ÉS BOA MÃE PORQUE NÃO ME QUERES COMPRAR NADA!
gritava hoje uma miúda de 5 anos no supermercado. Depois pontapeou a irmã mais velha e voltou a gritar. Quando cheguei à caixa, estava no final do número: a mãe recusava-se a pagar-lhe mais uma barbie, por isso tentava o truque do choro. Como não resultou em nada mais do que incomodar toda a gente e a mãe se afastou, só restou ao segurança tentar fazer-lhe devolver a boneca. A tomada de decisão nas mãos do segurança do supermercado, porque não se podia forçar a menina...
Devo estar a ficar velho, porque consigo imaginar esta mãe e esta criança, daqui a alguns anos e não acho graça nenhuma ao incidente. Só não tenho pena da progenitora porque acho que a sua desresponsabilização merece o que lhe vai suceder.
Mas tenho pena de nós, o país nas mãos destes ditadorezinhos de fraldas, que vão votar e exigir do Estado que se comporte como a mãe.
gritava hoje uma miúda de 5 anos no supermercado. Depois pontapeou a irmã mais velha e voltou a gritar. Quando cheguei à caixa, estava no final do número: a mãe recusava-se a pagar-lhe mais uma barbie, por isso tentava o truque do choro. Como não resultou em nada mais do que incomodar toda a gente e a mãe se afastou, só restou ao segurança tentar fazer-lhe devolver a boneca. A tomada de decisão nas mãos do segurança do supermercado, porque não se podia forçar a menina...
Devo estar a ficar velho, porque consigo imaginar esta mãe e esta criança, daqui a alguns anos e não acho graça nenhuma ao incidente. Só não tenho pena da progenitora porque acho que a sua desresponsabilização merece o que lhe vai suceder.
Mas tenho pena de nós, o país nas mãos destes ditadorezinhos de fraldas, que vão votar e exigir do Estado que se comporte como a mãe.
7 de dezembro de 2008
A CAMIONETA
Passei a infância a ver passar a camioneta para Amareleja. Vinha por volta das 5h da tarde. Não sabia grande coisa dela. Apenas que passava pela Vendinha e não sei se por qualquer outra aldeia deste Alentejo a descer para Reguengos. Nunca lá fui, nem faço ideia de como seria nesses anos. E a camioneta, apanhei-a uma vez, para visitar parentes próximos, na terra anteriormente referida. Pensei sempre que haveria de ficar num lugar cheio de girassóis. Por causa do amarelo em Amareleja. Era uma coisa solar, na minha imaginação. Hoje, ao ver este vídeo, pensei nisso. Tenha a aldeia sido o que tiver sido, hoje está definitivamente virada para o sol. No melhor sentido do termo.
Passei a infância a ver passar a camioneta para Amareleja. Vinha por volta das 5h da tarde. Não sabia grande coisa dela. Apenas que passava pela Vendinha e não sei se por qualquer outra aldeia deste Alentejo a descer para Reguengos. Nunca lá fui, nem faço ideia de como seria nesses anos. E a camioneta, apanhei-a uma vez, para visitar parentes próximos, na terra anteriormente referida. Pensei sempre que haveria de ficar num lugar cheio de girassóis. Por causa do amarelo em Amareleja. Era uma coisa solar, na minha imaginação. Hoje, ao ver este vídeo, pensei nisso. Tenha a aldeia sido o que tiver sido, hoje está definitivamente virada para o sol. No melhor sentido do termo.
4 de dezembro de 2008

UFA! ESTAVA A FICAR PREOCUPADO...
...com os salários dos administradores dos bancos. Numa época de tanta ralação, com toda a gente a descobrir que as fortunas da banca assentam (além da exorbitância dos juros e comissões)em falcatruas de toda a ordem, estes senhores (não há "senhoras" no processo, já que isto de dinheiro exige uma confiança que as mulheres, enfim... Já se sabe...Nem fica bem desenvolver... A mulher, o cavalo e o selim... O fado, etc...) precisam de algum conforto. Saber que em média, quer em bancos públicos, quer privados, um administrador recebe 70.000 euros por mês, já tranquiliza. Bastava ver a sala de entrada (na televisão, claro) do BPP para ter uma noção que estamos a lidar com gente muito acima dos portugueses. 70.000 euros enquanto trabalham e alguns milhões de indemnização quando são despedidos, é um mínimo!
Afinal, agora que tanta gente já vai receber 450 euros brutos... há que manter as distâncias.
ps: entendo agora melhor, a razão porque um ex-bancário, agora poeta muito apreciado pela imprensa cor-de-rosa, se surpreendia com desdém à hipótese de ter de viajar com uma companhia aérea. Não concebia outra coisa que ir em jacto privado. Claro. Agora faz sentido.
1 de dezembro de 2008
A DAMA DO VELHO CHICO
É o nome do livro do escritor Carlos Barbosa, meu amigo de Salvador. Não é fácil ser-se escritor no Brasil. A concorrência de talentos é medonha, tantos eles são. E o desinteresse pela Literatura é grande. Daí que a notícia de que o livro do escritor baiano fará parte do equivalente ao nosso Plano Nacional de Leitura, isto é, será comprado aos milhares e distribuído pelas bibliotecas escolares de todo o Brasil, é uma bela notícia. Deixo em baixo, um excerto que faz parecer Carlos da Maia, uma criança de colo, ao pensar em Maria Eduarda, n'Os Maias.
"O corpo fresco de Daura grudava-se no de Missinho por força do declive natural provocado pela concavidade da rede. Missinho mirava as telhas, qualquer coisa ao alcance dos olhos e tentava não sentir o cheiro próprio do corpo da irmã lavado a sabão de coco, e o calor que aumentava a cada segundo na concha que se juntaram.(...) Procurou não se mexer. Pouco adiantava, pois Daura mexia-se de vez em quando e o braço de Missinho roçava novas regiões, acomodava-se em Platôs, escorregava por ribanceiras profundas..." (edição Bom Texto)
É o nome do livro do escritor Carlos Barbosa, meu amigo de Salvador. Não é fácil ser-se escritor no Brasil. A concorrência de talentos é medonha, tantos eles são. E o desinteresse pela Literatura é grande. Daí que a notícia de que o livro do escritor baiano fará parte do equivalente ao nosso Plano Nacional de Leitura, isto é, será comprado aos milhares e distribuído pelas bibliotecas escolares de todo o Brasil, é uma bela notícia. Deixo em baixo, um excerto que faz parecer Carlos da Maia, uma criança de colo, ao pensar em Maria Eduarda, n'Os Maias.
"O corpo fresco de Daura grudava-se no de Missinho por força do declive natural provocado pela concavidade da rede. Missinho mirava as telhas, qualquer coisa ao alcance dos olhos e tentava não sentir o cheiro próprio do corpo da irmã lavado a sabão de coco, e o calor que aumentava a cada segundo na concha que se juntaram.(...) Procurou não se mexer. Pouco adiantava, pois Daura mexia-se de vez em quando e o braço de Missinho roçava novas regiões, acomodava-se em Platôs, escorregava por ribanceiras profundas..." (edição Bom Texto)
28 de novembro de 2008
A NORTE
Como se sabe, sou um homem do Sul. Na mania do sol, das coisas brancas, da areia nos pés.
Mas, sempre que vou ao Norte do país, deixo-me sempre surpreender pela hospitalidade nortenha. Embora, os centros comerciais estejam a ofuscar progressivamente a paisagem e a forma de lidar entre as pessoas, tal como aconteceu mais abaixo, ainda assim, quer numa pastelaria (enquanto se pede "meia-de-cimbalino" e nos perguntam se queremos o"pãozinho com queijo aquecido") quer quando, espontaneamente, as pessoas oferecem ajuda para as mais diferentes coisas, o Norte, ainda dá cartas. Esperemos que esta generosidade, que deveria ser a sua matriz, permaneça ainda por muito tempo.
Quando subimos no Alfa, ficamos como o coração mais "quêntinho".
Como se sabe, sou um homem do Sul. Na mania do sol, das coisas brancas, da areia nos pés.
Mas, sempre que vou ao Norte do país, deixo-me sempre surpreender pela hospitalidade nortenha. Embora, os centros comerciais estejam a ofuscar progressivamente a paisagem e a forma de lidar entre as pessoas, tal como aconteceu mais abaixo, ainda assim, quer numa pastelaria (enquanto se pede "meia-de-cimbalino" e nos perguntam se queremos o"pãozinho com queijo aquecido") quer quando, espontaneamente, as pessoas oferecem ajuda para as mais diferentes coisas, o Norte, ainda dá cartas. Esperemos que esta generosidade, que deveria ser a sua matriz, permaneça ainda por muito tempo.
Quando subimos no Alfa, ficamos como o coração mais "quêntinho".
26 de novembro de 2008
A REVISTA DA CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS
É um clássico. Recebi hoje, 26 de Novembro, o novo número.
Fiquei a saber que o Doc Lisboa vai acontecer... no mês passado, quase ao mesmo tempo de um concerto do José Mário Branco. E, numa sociedade dominada pelas aspirações-caprichos dos filhos, vem um artigo severo sobre "pais que se gerem por valores antigos, de um mundo que já mudou". Muito bom.
A cereja sobre o bolo vem logo na capa, que vem com fundo branco e um desenho ingénuo: "Pinta a tua capa", pedem, entusiásticos. Pena que esta seja impressa em papel plastificado. Há-de ser lindo, se alguma criancinha lhe meter os lápis de cor ou as canetas de feltro em cima.
Calculo que estas pessoas recebam um ordenado para fazer esta revista. O que me parece excessivo.
ps: ou então foram alunos do Vítor Constâncio, no Banco de Portugal: "está tudo em ordem, fizemos um excelente trabalho. E se a realidade insiste em nos desmentir... Olhe, é porque não foi sincera connosco!"
É um clássico. Recebi hoje, 26 de Novembro, o novo número.
Fiquei a saber que o Doc Lisboa vai acontecer... no mês passado, quase ao mesmo tempo de um concerto do José Mário Branco. E, numa sociedade dominada pelas aspirações-caprichos dos filhos, vem um artigo severo sobre "pais que se gerem por valores antigos, de um mundo que já mudou". Muito bom.
A cereja sobre o bolo vem logo na capa, que vem com fundo branco e um desenho ingénuo: "Pinta a tua capa", pedem, entusiásticos. Pena que esta seja impressa em papel plastificado. Há-de ser lindo, se alguma criancinha lhe meter os lápis de cor ou as canetas de feltro em cima.
Calculo que estas pessoas recebam um ordenado para fazer esta revista. O que me parece excessivo.
ps: ou então foram alunos do Vítor Constâncio, no Banco de Portugal: "está tudo em ordem, fizemos um excelente trabalho. E se a realidade insiste em nos desmentir... Olhe, é porque não foi sincera connosco!"
24 de novembro de 2008
21 de novembro de 2008
MEMORIAS DO TEMPO LARANJA
Os mais novos têm sorte: não se lembram do "cavaquismo". Não tanto pelo Cavaco, coitado, chegado de Boliqueime com a sua Maria-Poeta e que fez, genuinamente, o que achava ser melhor para o país. Falo das escolhas erradas nos seus governos: Santana Lopes para as decisões de Cultura (na falta de uma Secretaria Geral da Superficialidade, penso eu...) e, entre outros, este senhor, agora acusado de trafulhices bancárias, para a Secretaria dos Assuntos Fiscais. Quase que dá vontade de rir, sabendo que naquele tempo, os professores universitários defendiam que "não havia evasão fiscal, apenas itens bem ou mal contabilizados". Foi uma época horrível, sob vários pontos de vista. Eu não assisti ao fim dessa era, porque emigrei. Mas não me esqueço da cupidez laranja a alastrar por ministérios, bancas, autarquias, empresas de construção civil... Tudo isto misturado numa orgia de dinheiro, impunidade e despudor. Agora, à medida que o tempo passa, os podres começam a vir ao de cima. É sempre assim, com o lodo.
Mas não nos preocupemos, porque com uma magistratura que faz da forma da letra de lei, o seu deus, sacrificando nela a antiga ideia de justiça, nada acontecerá de extraordinário a este e a outros senhores ex-larápios autorizados (alegadamente, claro). Com dinheiro para pagar os melhores advogados e investigadores, calçadíssimos dentro de um partido importante, só por muito azar chegarão a uma condenação. E nunca, nunca, a pena de prisão efectiva. Essas só apanham os que já rastejam na escala social e que não foram suficientemente espertos para subir para onde a maré não os apanhasse.
Os mais novos têm sorte: não se lembram do "cavaquismo". Não tanto pelo Cavaco, coitado, chegado de Boliqueime com a sua Maria-Poeta e que fez, genuinamente, o que achava ser melhor para o país. Falo das escolhas erradas nos seus governos: Santana Lopes para as decisões de Cultura (na falta de uma Secretaria Geral da Superficialidade, penso eu...) e, entre outros, este senhor, agora acusado de trafulhices bancárias, para a Secretaria dos Assuntos Fiscais. Quase que dá vontade de rir, sabendo que naquele tempo, os professores universitários defendiam que "não havia evasão fiscal, apenas itens bem ou mal contabilizados". Foi uma época horrível, sob vários pontos de vista. Eu não assisti ao fim dessa era, porque emigrei. Mas não me esqueço da cupidez laranja a alastrar por ministérios, bancas, autarquias, empresas de construção civil... Tudo isto misturado numa orgia de dinheiro, impunidade e despudor. Agora, à medida que o tempo passa, os podres começam a vir ao de cima. É sempre assim, com o lodo.
Mas não nos preocupemos, porque com uma magistratura que faz da forma da letra de lei, o seu deus, sacrificando nela a antiga ideia de justiça, nada acontecerá de extraordinário a este e a outros senhores ex-larápios autorizados (alegadamente, claro). Com dinheiro para pagar os melhores advogados e investigadores, calçadíssimos dentro de um partido importante, só por muito azar chegarão a uma condenação. E nunca, nunca, a pena de prisão efectiva. Essas só apanham os que já rastejam na escala social e que não foram suficientemente espertos para subir para onde a maré não os apanhasse.
20 de novembro de 2008
ESCOLAS
Por razões profissionais estou em processo de visita e desenvolvimento de projecto com as 15 escolas do fundo da tabela nos rankings.
É preciso ir a estes sítios, rodeados de blocos de habitação social ou barracas e perceber que não poderia ser de outra maneira. Como é que se pode pedir a um miúdo que seja razoável a Matemática ou que debite Camões quando ele sabe a todo o momento que terá de olhar por cima do ombro à saída. Ou quando tem a certeza de chegar a uma casa vazia, ou habitada por pais a viver do Rendimento Mínimo e sem vontade de sair dele? Quando roubar, agredir e traficar são palavras que entram nas canções infantis?
Indíos, sim. Mas como ser menino de coro no meio da guerra?
Por razões profissionais estou em processo de visita e desenvolvimento de projecto com as 15 escolas do fundo da tabela nos rankings.
É preciso ir a estes sítios, rodeados de blocos de habitação social ou barracas e perceber que não poderia ser de outra maneira. Como é que se pode pedir a um miúdo que seja razoável a Matemática ou que debite Camões quando ele sabe a todo o momento que terá de olhar por cima do ombro à saída. Ou quando tem a certeza de chegar a uma casa vazia, ou habitada por pais a viver do Rendimento Mínimo e sem vontade de sair dele? Quando roubar, agredir e traficar são palavras que entram nas canções infantis?
Indíos, sim. Mas como ser menino de coro no meio da guerra?
18 de novembro de 2008
PEÇO DESCULPA MAS CHEIRA-ME A ESTURRO.
Não quero ser insistente, mas o debate de ontem na RTP sobre o alargamento do Porto de Lisboa estava à cunha. De homens de fato e gravata. O que é sempre mau sinal. Pela conversa feita, percebeu-se que muito pouca coisa foi estudada e que se está a tentar pressionar uma decisão.
Hoje, quando (ver o post em baixo) vou finalmente meter os jornais no lixo, com toda a publicidade à mistura, deparo-me com uma brochura de luxo, sobre o assunto. Papel couché para explicar por que razão terão de ser desembolsados milhões de euros dos contribuintes (de todo o país) para uma obra que só beneficiará uma empresa. Mais a esturro me cheirou.
Quando vou ver a empresa, descubro (toda a gente já deve saber isto, menos eu...) que pertence ao grupo Mota-Engil, que tem um dirigente socialista (leia-se, do partido que está no governo e que amanhã pode não estar, melhor, melhor, será apressar as coisas)a dirigi-lo. Certamente, uma coincidência.
Eu sei que as fortunas pessoais ligadas aos ganhos com o erário público têm de se fazer. Sempre assim foi, sempre assim será. Cimenteiras em parques naturais, contentores a tapar o rio e por aí fora... Mas se pudessem ser um bocadinho mais discretos, agradecia-se. Talvez aprendendo com os bancos, que nos roubam de toda a maneira e feitio, sem esperança de regulação.
Não quero ser insistente, mas o debate de ontem na RTP sobre o alargamento do Porto de Lisboa estava à cunha. De homens de fato e gravata. O que é sempre mau sinal. Pela conversa feita, percebeu-se que muito pouca coisa foi estudada e que se está a tentar pressionar uma decisão.
Hoje, quando (ver o post em baixo) vou finalmente meter os jornais no lixo, com toda a publicidade à mistura, deparo-me com uma brochura de luxo, sobre o assunto. Papel couché para explicar por que razão terão de ser desembolsados milhões de euros dos contribuintes (de todo o país) para uma obra que só beneficiará uma empresa. Mais a esturro me cheirou.
Quando vou ver a empresa, descubro (toda a gente já deve saber isto, menos eu...) que pertence ao grupo Mota-Engil, que tem um dirigente socialista (leia-se, do partido que está no governo e que amanhã pode não estar, melhor, melhor, será apressar as coisas)a dirigi-lo. Certamente, uma coincidência.
Eu sei que as fortunas pessoais ligadas aos ganhos com o erário público têm de se fazer. Sempre assim foi, sempre assim será. Cimenteiras em parques naturais, contentores a tapar o rio e por aí fora... Mas se pudessem ser um bocadinho mais discretos, agradecia-se. Talvez aprendendo com os bancos, que nos roubam de toda a maneira e feitio, sem esperança de regulação.
17 de novembro de 2008
DOS JORNAIS
À 2a feira aumenta-se o atraso do que deveria estar a ser feito, lendo o resto dos jornais da semana (teoricamente, está por detrás deste acto, a necessidade de saber o que deve ir para a reciclagem, libertando a casa, blá, blá, blá...).
Do suplemento de Economia do Expresso, retiro 3 ideias.
1. Alguma coisa está a mudar no país, no contexto económico. Há pouco tempo atrás, as notícias seriam sobre a falência de mais uma fábrica de curtumes, o sucesso de uma construtora civil (com os administradores ligados ao PSD, quase de certeza) ou imagens "descontraídas" daquela figura gorda e insuportável do tipo da Noite da Má Língua que tem a mania que percebe de futebol e de moda (tristemente enganado nos dois campos, helàs). Esta edição do suplemento era quase toda sobre empresas e acções ligadas às novas tecnologias. Coisas sólidas, de gente a trabalhar, a ganhar o seu, mas numa escala mundial e inovadora. O que foi bom.
2. Uma notícia era sobre agências de comunicação. O jornalista explicava quem são os as pessoas que ganham dinheiro a controlar a informação das empresas que sai para os jornais. Depois indignava-se com aquelas que vendem aos clientes a ideia de poderem controlar verdadeiramente a coisa, através de conhecimentos no meio jornalísticos ou até de "compra". Terá certamente razão, o nosso Cândido.
3. Um artigo de um jornalista a defender (subentende-se por todo o artigo) a absoluta necessidade de alargar o Porto de Lisboa. Como toda a gente sabe, a ideia é construir uma muralha de contentores, entre a cidade e o rio, para dar lucro a armadores e a várias empresas do sector. A coisa, como sempre, é colocada em termos dramáticos: ou se constrói exactamente como as partes interessadas exigem, ou será a a RUÍNA. Leia-se: "nunca mais barco nenhum virá descarregar a Lisboa SE continuarem as condições com que agora se satisfazem". Sem comentários. Mas é capaz de ligar com o ponto anterior...
À 2a feira aumenta-se o atraso do que deveria estar a ser feito, lendo o resto dos jornais da semana (teoricamente, está por detrás deste acto, a necessidade de saber o que deve ir para a reciclagem, libertando a casa, blá, blá, blá...).
Do suplemento de Economia do Expresso, retiro 3 ideias.
1. Alguma coisa está a mudar no país, no contexto económico. Há pouco tempo atrás, as notícias seriam sobre a falência de mais uma fábrica de curtumes, o sucesso de uma construtora civil (com os administradores ligados ao PSD, quase de certeza) ou imagens "descontraídas" daquela figura gorda e insuportável do tipo da Noite da Má Língua que tem a mania que percebe de futebol e de moda (tristemente enganado nos dois campos, helàs). Esta edição do suplemento era quase toda sobre empresas e acções ligadas às novas tecnologias. Coisas sólidas, de gente a trabalhar, a ganhar o seu, mas numa escala mundial e inovadora. O que foi bom.
2. Uma notícia era sobre agências de comunicação. O jornalista explicava quem são os as pessoas que ganham dinheiro a controlar a informação das empresas que sai para os jornais. Depois indignava-se com aquelas que vendem aos clientes a ideia de poderem controlar verdadeiramente a coisa, através de conhecimentos no meio jornalísticos ou até de "compra". Terá certamente razão, o nosso Cândido.
3. Um artigo de um jornalista a defender (subentende-se por todo o artigo) a absoluta necessidade de alargar o Porto de Lisboa. Como toda a gente sabe, a ideia é construir uma muralha de contentores, entre a cidade e o rio, para dar lucro a armadores e a várias empresas do sector. A coisa, como sempre, é colocada em termos dramáticos: ou se constrói exactamente como as partes interessadas exigem, ou será a a RUÍNA. Leia-se: "nunca mais barco nenhum virá descarregar a Lisboa SE continuarem as condições com que agora se satisfazem". Sem comentários. Mas é capaz de ligar com o ponto anterior...
16 de novembro de 2008

DA PINTURA
Sempre foi para mim um fonte de mistério. Pelo que revelava ou eu achava que me revelava. Mais tarde porque me permitiu dar forma aos fantasmas que me consumiam por dentro. Depois, quando a escrita apareceu e comeu tudo à sua volta, desapareceu do mesmo modo: misteriosamente, como se nunca tivesse existido na minha vida.
Nos últimos tempos, enquanto aprendo técnicas de óleo, no meio de frutas e naturezas mortas revela-me um novo mistério. O de trazer da sombra ou da luz uma forma que sempre ali esteve. À espera de um pincel desajeitado, mas ainda assim, ansioso pelas pequenas revelações.
14 de novembro de 2008
12 de novembro de 2008
DA RAZÃO E DO OVOS
Ao que parece - salvaguardando-se o sensacionalismo dos media (o que se está a tornar uma redundância, já que "media" rima cada vez mais com "disparate", o Cavaco é que tinha razão em só ler os títulos e ir trabalhar)- uma horda de adolescentes cercou o carro da ministra da educação e encheu-o de ovos.
Devo dizer que a coisa não me surpreende.
Por um lado, os néscios, filhos de néscios que sugam a teta cada vez mais cansada da escola, precisam de se entreter. Ainda mais com uma actividade que os prepara para a universidade, ou seja, para as praxes, arruaças e bebedeiras até ao coma.
Por outro lado, a teimosia da nossa Umbridge (ver "Harry Potter e a Ordem da Fénix") está pedi-las. A pôr-se a jeito para a turba ignara e manipulável.
Manuel Alegre, que raramente acerta uma, está certo quando diz que a razão não pode estar só de um lado. E quando acrescenta que mesmo quando assim é, não se pode governar contra todos.
Marçal Grilo, ontem, também descobriu a pólvora, ao afirmar "com franqueza" que esta luta já não tem a ver com a matéria de facto, mas com o descontentamento e desânimo de quem quer dar aulas e também, bastante, com oportunismo político. Óbvio. Primeiro foram os sindicatos, liderados pelo último homem de bigode em Portugal, que resolveram colher dividendos. Depois foi, a oposição (já que pela apresentação de propostas não vai lá, então que a pega seja de cernelha; que se rabeje o touro da contestação.
Por último, são as nossas "criancinhas" que andam chateadas com as faltas.
No meio de tudo isto, os professores. Os dedicados e os outros.
Já toda a gente acha que se "deve ser avaliado", só não concordam com o modelo. Sobretudo porque assenta entre a "quase certa maldade e inveja" de colegas.
São os mesmos que recusaram a avaliação externa (por exemplo como a das escolas privadas que têm certificação de qualidade e que vêem os seus procedimentos e práticas escrutinadas ao milímetro), mas que também não querem interna. Os mesmos que se queixam (e com razão) que muitos dos lugares dos conselhos executivos são ocupados por incompetentes que ali chegaram por terem usado o seu tempo para tudo, menos para dar aulas e que não fazem um boi de ideia de como gerir orçamentos e propostas de actividades de formação, por exemplo. Mas que recusaram os gestores externos.
Na verdade, são um bocadinho como os meninos que aturam: querem e não querem. E é nesta indecisão; através deste buraco de vontades que avança a Ministra, que entram os pais de nariz levantado e por onde se safam os adolescentes alarves.
Atirar ovos e cercar carros é só o princípio. A anarquia e o desvario, de vários lados, desceram totalmente à escola.
Pode ser que seja bom. Às vezes é preciso que tudo rebente para que o barulho do estrondo chame as pessoas à razão.
Ao que parece - salvaguardando-se o sensacionalismo dos media (o que se está a tornar uma redundância, já que "media" rima cada vez mais com "disparate", o Cavaco é que tinha razão em só ler os títulos e ir trabalhar)- uma horda de adolescentes cercou o carro da ministra da educação e encheu-o de ovos.
Devo dizer que a coisa não me surpreende.
Por um lado, os néscios, filhos de néscios que sugam a teta cada vez mais cansada da escola, precisam de se entreter. Ainda mais com uma actividade que os prepara para a universidade, ou seja, para as praxes, arruaças e bebedeiras até ao coma.
Por outro lado, a teimosia da nossa Umbridge (ver "Harry Potter e a Ordem da Fénix") está pedi-las. A pôr-se a jeito para a turba ignara e manipulável.
Manuel Alegre, que raramente acerta uma, está certo quando diz que a razão não pode estar só de um lado. E quando acrescenta que mesmo quando assim é, não se pode governar contra todos.
Marçal Grilo, ontem, também descobriu a pólvora, ao afirmar "com franqueza" que esta luta já não tem a ver com a matéria de facto, mas com o descontentamento e desânimo de quem quer dar aulas e também, bastante, com oportunismo político. Óbvio. Primeiro foram os sindicatos, liderados pelo último homem de bigode em Portugal, que resolveram colher dividendos. Depois foi, a oposição (já que pela apresentação de propostas não vai lá, então que a pega seja de cernelha; que se rabeje o touro da contestação.
Por último, são as nossas "criancinhas" que andam chateadas com as faltas.
No meio de tudo isto, os professores. Os dedicados e os outros.
Já toda a gente acha que se "deve ser avaliado", só não concordam com o modelo. Sobretudo porque assenta entre a "quase certa maldade e inveja" de colegas.
São os mesmos que recusaram a avaliação externa (por exemplo como a das escolas privadas que têm certificação de qualidade e que vêem os seus procedimentos e práticas escrutinadas ao milímetro), mas que também não querem interna. Os mesmos que se queixam (e com razão) que muitos dos lugares dos conselhos executivos são ocupados por incompetentes que ali chegaram por terem usado o seu tempo para tudo, menos para dar aulas e que não fazem um boi de ideia de como gerir orçamentos e propostas de actividades de formação, por exemplo. Mas que recusaram os gestores externos.
Na verdade, são um bocadinho como os meninos que aturam: querem e não querem. E é nesta indecisão; através deste buraco de vontades que avança a Ministra, que entram os pais de nariz levantado e por onde se safam os adolescentes alarves.
Atirar ovos e cercar carros é só o princípio. A anarquia e o desvario, de vários lados, desceram totalmente à escola.
Pode ser que seja bom. Às vezes é preciso que tudo rebente para que o barulho do estrondo chame as pessoas à razão.
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